quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NA TRILHA DE LAMPIÃO


A descentralização dos recursos do Estado, voltando sua atenção para as companhias, grupos e artistas independentes do interior, bem como a política de Editais proposta têm contribuído enormemente para o fortalecimento da arte e da cultura em toda a Bahia.
Prova disso é “Cangaço”. Espetáculo premiado inicialmente pelo Edital Manoel Lopes Pontes de Apoio a Montagem de Teatro no Estado da Bahia, em 2008, e agora pelo Edital Jurema Penna de Apoio à Circulação de Espetáculos de Teatro 2009 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.
Nossa circulação pelo agreste baiano inicia-se em Aporá, dia 03/11, cidade distante do nosso município mais de 500 km. A pequena cidade de pouco mais de dezessete mil habitantes faz limite, ao norte com o município de Crisópolis, ao sul e a oeste com o município de Inhambupe, a leste com o município de Esplanada, a nordeste com o município de Acajutiba, a noroeste com o município de Olindina e a sudeste com o município de Entre Rios. Lampião não chegou a entrar em Aporá, mas esteve bem perto na cidade de Castro Alves – que na época era conhecida como a capital do fumo. Provocando enorme alvoroço entre a população.
A segunda cidade a ser visitada pelo espetáculo é Monte Santo – “a cidade que abastecia Lampião”, no dia 04/11. Havia um depósito de peles de caprinos que eram, de tempos em tempos, enviadas pelo responsável, Salustiano de Andrade, para a Pedra de Delmiro, em Alagoas, para processamento e exportação para a Europa. Dona Maria Corrêa, mais conhecida como Maria do Lúcio, exercia a profissão de parteira e declarou-nos que, quando jovem, conheceu Virgulino Ferreira durante uma de suas visitas ao depósito de peles.
A terceira cidade: Queimadas, “a terra do massacre policial”, será no dia 05/11. Lampião chegou à cidade às 15:30 horas do dia 22 de Dezembro de 1929, aproximadamente. Lampião prendeu o oficial de justiça Alvarino, prosseguindo com seu assalto chegou a Rua de Baixo ( atualmente Praça Cel. Francisco Lantyer ), cindiu em duas alas; uma surgiu sob comando de Mariano, para tomar a estação da estrada-de -ferro, onde prendeu os funcionários, que encontrou e arrebentou o telegráfo, cortando a possibilidade de qualquer comunicação para com as outras localidades. A outra ala seguiu para à Rua de Cima ( atual Praça da Bandeira ) chegando ao velho Quartel e o cangaceiro líder daquela ala assassinou sete soldados que estavam de plantão.
Valente, “a cidade que passou a noite acordada esperando Lampião”, será o quarto município da turnê no dia 06/11. Na noite em que Lampião invadiu Queimadas, aterrorizando toda a população, um mensageiro chegou em Valente avisando que Virgulino estaria a caminho da cidade. Muitos moradores fugiram para o mato, outros se trancaram em suas casas e não dormiram naquela noite esperando Lampião chegar.
Por fim, Jacobina, no dia 07/11, a cidade que Lampião, “estrategista cheio de artes e manhas, se livrou de cair em arapuca perigosa e de ser pego pelas forças do governo quando se recusou a descer as serras que cercam Jacobina. Temia que, mergulhando nessas profundezas abissais, ficasse vulnerável aos inimigos”, afirma o jornalista Rogério Menezes.
Esta é nossa segunda turnê, desde a estreia em 09 de abril de 2009, graças ao apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Secretaria da Fazenda, Governo da Bahia.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ENSAIO QUINTA-FEIRA!!!

Olá, companheiros. A circulação se aproxima. Estamos no aguardo das últimas coordenadas da Funceb (leia-se recursos de infraestrutura). Para isso, marcamos ensaio para quinta-feira, dia 21/10, às 18:30, na sede da Fundação Cultural de Ilhéus, auditório Fernando Leite Mendes. Não faltem. Precisamos colocar o pé na estrada. Um abraço.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

CANGAÇO, RUMO AO TRIÊNIO!!!


Há quase dois anos estamos em cartaz com o espetáculo Cangaço. Ganhamos três prêmios, graças ao empenho de todos. Recebemos proposta para apresentar o espetáculo em Uberlândia, MG. Se essas apresentações de fato ocorrerem (e estão previstas para abril de 2011) completaremos 03 anos. Obrigado a todos que nos acompanharam e acreditaram no nosso trabalho. Dentre de mais alguns dias estarei postando as datas dos ensaios preparativos para a turnê que começa no dia 03 de novembro de 2010.

sábado, 18 de setembro de 2010

EM OUTUBRO COMEÇAM OS PREPARATIVOS PARA A TURNÊ PELO AGRESTE BAIANO


Após a semana da criança, o Grupo Teatro Total retoma os ensaios do espetáculo Cangaço. Haverá pequenas modificações em algumas cenas para enriquecer ainda mais a peça. Outro elemento que também deverá sofrer alterações é o cenário, sobretudo a casa do coiteiro Antônio de Pissara para que possa ser adaptado às viagens.

O figurino também irá ser modificado. O cáqui dará lugar ao azul claro, desbotado, para aproximar ainda mais do vestuário do bando em 1938. É claro que todas estas modificações só serão possíveis assim que a Funceb cumprir com sua parte no Edital Jurema Penna de Apoio à Circulação de Teatro no Estado da Bahia. Esperamos que não haja mais nenhum atraso em relação ao TAC, haja visto que já tivemos que adiar a turnê por duas vezes consecutivas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CONFIRMADA! NOSSA TURNÉE PELO AGRESTE BAIANO COMEÇA EM NOVEMBRO

Prepare muito café, Maria Bonita, que vamo comer uma poeira retada!

A FUNCEB/SECULT já solicitou as diligências necessárias para a assinatura do TAC. Será solicitado um novo cronograma de apresentações que deverá ser cumprido. Já enviamos às cidades participantes do projeto uma solicitação de pauta.

Neste novo cronograma, apenas invertemos o roteiro. Ao invés de começar por Valente, desta vez iremos começar por Aporá. Haverá mudança em dois locais de apresentação, pois os mesmo não estão com as datas que a produção solicitou. Acompanhe:


Dia 03/11 - Aporá

Dia 04/11 - Monte Santo

Dia 05/11 - Queimadas

Dia 06/11 - Valente

Dia 07/11 - Jacobina


Entonces, cangaceiros. Aprontem suas malas. Nossa viagem começa no feriado do dia 02/11 e retornaremos a Ilhéus no dia 08/11, bem cedinho. Agora é pra valer!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CANGAÇO NO ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE UBAITABA


Acabamos de receber da Diretoria de Cultura da cidade de Ubaitaba um convite para a apresentação do nosso espetáculo, nesta terça-feira, dia 27 de julho, véspera em que Virgulino Ferreira completa 72 anos de morto. Vamos esticar as pernas, desenferrujar as armas e partir pro ataque. Ensaio nesta segunda-feira, dia 26, na sede da Fundação Cultural de Ilhéus, às 18:00 horas.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO PALCO


No Teatro tudo é permitido e, ao mesmo tempo, proibido. Todas as regras pre-estabelecidas de repente passam a não valer nada. O Teatro é paradoxal, contraditório e, acaba em alguns momentos se transformando numa arma. Muitos se arriscam em sua experiência, poucos compreendem a matriz dionisíaca que se apodera dos corpos frágeis e poéticos.
O Teatro é um processo. Só quem vive compreende as dificuldades e as alegrias. Plateia cheia, bilheteria gorda, nem sempre representa satisfação. Há uma grande diferença entre quantidade e qualidade. De cada cem pessoas, sete assimilam a mensagem. Sete são responsáveis por amar aquilo que fazemos. “Sete serão apenas aquelas que lerão o que escrevemos”, disse José Delmo.
Por falar em José Delmo, eu o vejo como o poeta da carne crua, da mão nua, do coração de papel. O mestre da arte cênica que apontou os caminhos e que descobriu seu próprio destino. O ator é um homem só. O escritor é um homem só. O diretor é um homem só.
A solidão procura no artista a descoberta. O artista encontra na solidão a transmigração de seus pensamentos.
No Teatro, a dor finge que sente. Assim como o poeta que mente. Mente porque é capaz de dizer a verdade. Diz a verdade porque é capaz de mentir. Somos todos mentirosos dizendo verdades.
No Teatro existe cura. A cura acontece quando você se encontra. E se encontrando, encontra o outro. Assim, percebe que a arte é feita de encontros. Entre pedaços de papel, cenas improvisadas, gestos inúteis, marcações despropositadas, surge o personagem. É necessário uma desconstrução para então, e somente então, construírmos. A construção é um processo de evolução. “A arte e os artistas devem evoluir, pois, caso contrário, só lhes restará regredir”. Como artistas devemos estar revendo nossas ideias até o último suspiro. Nietzsche assim não o fez ao afirmar em seu leito de morte que se existisse um Deus ele seria o mais miserável dos pecadores?
No Palco, um papel, “mais do que a ação na vida real, deve ser uma fusão das duas vidas – a da ação exterior e a da ação interior – num esforço mútuo que visa a alcançar um determinado objetivo”
Para que existe o Teatro? Para a plateia? Para o texto? Para a técnica? O Teatro existe para o ator, sem o qual não pode absolutamente existir. Afinal, o que é leve? O que é insustentável no processo de criação? Como diria Stanislavski: “Temam os seus admiradores! Aprendam, no devido tempo, a entender e a amar a verdade cruel a respeito de si próprios... Falem a respeito de sua arte somente com aqueles que podem lhes dizer a verdade”.
Quem já sentiu uma corrente fluir dos seus olhos ou da ponta de seus dedos em direção ao seu companheiro de cena? As pontas dos dedos são os olhos do nosso corpo. O diretor é um psicólogo e um artista e até certo ponto ele também precisa ser um ator. “Um ator vive, chora e ri em cena, e está o tempo todo atento as suas próprias lágrimas e sorrisos. É esta dupla função, este equilíbrio entre a vida e a atuação que constituem a sua arte”, disse Salvini.
O Teatro tem um palco. Um palco insustentável e leve.

terça-feira, 13 de julho de 2010

CANGAÇO E AS AVENTURAS DE JOÃO E MARIA ESTÃO CONCORRENDO AO TROFÉU JUPARÁ


O espetáculo Cangaço, vencedor do Prêmio Manoel Lopes Pontes (2008) e Prêmio Jurema Penna, (2009), ambos promovidos pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, assim como o espetáculo infantil As Aventuras de João e Maria estão concorrendo ao Troféu Jupará. O primeiro na categoria Teatro Adulto (no stand tem Cangaço Itabuna, erro da comissão organizadora) e o segundo na categoria Teatro Infantil. O stand de votação em Ilhéus é em frente a Fundação Cultural de Ilhéus. "Quem assistiu aos espetáculos ou não e quiser votar na gente é só levar a identidade", diz a produtora Viviane Siqueira.

A votação será até o dia 17 de julho de 2010. Corra logo e dê seu voto.